Ronaldo no Timão

dezembro 12, 2008

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A Festa da Copa 2014

dezembro 10, 2008

Prêmio Craque Brasileirão 2008

dezembro 9, 2008

     Quem assistiu ontem na Sportv, 20:30, o Prêmio Craque Rede Globo Brasileirão 2008, teve a clara impressão que havia um sério problema de sincronismo entre o espaço/tempo.

     Primeiramente iniciou-se alguma edição mais sofisticada de Criança Esperança, com Marcos Palmeira e Tony Ramos apresentando jograis mal ensaiados e com alusões confusas que beiravam à heresia a arte futebolística.

     Mas enfim, a premiação iria começar em breve.

     Chama-se o glorioso Atlético Goianiense, bi-campeão da Série C. Aplausos, agradecimentos e troféu.

     Em seguida o remanescente Corinthians como campeão da Série B, com direito a um comentário infeliz do Presidente que tem medo (segundo Paulinho), “o Willian (capitão) e o Mano (técnico da equipe), não puderam vir, tiveram que ir a Europa. Sabe como é, time de série B não tem oportunidade de ir pra fora aí quando tem vai…”

     Chegado o momento em que todos esperavam, a premiação do Campeão da Série A.

     Rogério Ceni, mostrando claro apoio à atual gestão de seu clube, passou a palavra a Juvenal Juvêncio, que devido à polêmica envolvendo as entidades do futebol, o clube São Paulo no escândalo do Esquema Madonna, tinha o discurso muito aguardado por todos.

     Sobrou para todos. Do clube dos 13, antigo desafeto, ao Goiás, pelo valor abusivo cobrado pelo ingresso no ultimo jogo do campeonato, Juvenal esbofeteou-lhes com luva de pelica, mas claro, sem se comprometer.

     Foi divertido, mas não passou de uma troca de farpas entre cartolas.

     O Show prosseguiu com um enredo novelesco, alguns dos “craques” foram  presenteados premiados por serem eleitos por algum critério que não o futebol.

     Após a farsa premiação, eis que entramos em uma edição especial do fantástico, com Patricia Poeta, Zeca Camargo e Tadeu Schmidt, presenteando o Bola Cheia e o Bola Mucha (quadro humorístico composto vídeos de internautas postados no Site do programa com lances de peladas).

     Não pode deixar de ter o craque da torcida, representado por um jogador carioca e votado no Site da Globo (veja relação abaixo), é claro, desabafo de Carlos Eugenio Simon, após ser fortemente vaiado, uma homenagem política, descabida e de muito mal gosto a torcida corintiana e muito pouco futebol.

     O que nos consola é que de qualquer forma ainda nos resta a Bola de Prata.

     Segue abaixo a relação dos “eleitos”: 

     Goleiro:  

     1º Victor (Grêmio)  

     2º Rogério Ceni (São Paulo)

     3º Marcos (Palmeiras)

     Lateral-direito:   

     1º Leo Moura (Flamengo)

     2º Vitor (Goiás)

     3º Elder Granja (Palmeiras)

     Zagueiro pela direita:

     1º Thiago Silva (Fluminense)
     2º André Dias (São Paulo) 
     3º Fábio Luciano (Flamengo)

     Zagueiro pela esquerda:

     1º Miranda (São Paulo) 
     2º Ronaldo Angelim (Flamengo)
     3º Réver (Grêmio)

     Lateral-esquerdo:

     1º Juan (Flamengo) 
     2º Leandro (Palmeiras)
     3º Kleber (Santos)

     Volante pela direita:

     1º Hernanes (São Paulo) 
     2º Rafael Carioca (Grêmio)
     3º Pierre (Palmeiras)

     Volante pela esquerda:

     1º Ramires (Cruzeiro)
     2º Guiñazu (Inter)
     3º Diguinho (Botafogo)

     Meia-direita:

     1º Diego Souza (Palmeiras)
     2º Tcheco (Grêmio)
     3º Ibson (Flamengo)

     Meia-esquerda:

     1º Alex (Inter)
     2º Wagner (Cruzeiro)
     3º Lucio Flavio (Botafogo)

     Primeiro atacante:

     1º Kléber Pereira (Santos)
     2º Guilherme (Cruzeiro)
     3º Keirrison (Coritiba)

     Segundo atacante:

     1º Alex Mineiro (Palmeiras)
     2º Nilmar (Inter)
     3º Kléber (Palmeiras)

     Treinador:

     1º Muricy Ramalho (São Paulo)
     2º Vanderlei Luxemburgo (Palmeiras)
     3º Celso Roth (Grêmio)

     Craque:

     1º Hernanes (São Paulo)

     2º Kléber Pereira (Santos) e Alex (Inter)
 

     Craque da Galera:

    1º Thiago Silva (Fluminense)
    2º Juan (Flamengo)
    3º Hernanes (São Paulo)

     Revelação:

     1º Keirrison (Coritiba)

     2º Marquinhos (Vitória) e Jean (São Paulo)
 

     Árbitro:

     1º Leonardo Gaciba (RS)
     2º Leandro Vuaden (RS)
     3º Carlos Eugênio Simon (RS)

BR – 08: Esquema Madonna

dezembro 9, 2008

    

      Indiscutível é a supremacia do Tricolor Paulista em terras brasileiras.

      No campeonato mais emocionante da era dos pontos corridos o São Paulo Futebol Clube, representante de um misto de Estado de Bem Estar Social dos gramados e profissionalismo pós-moderno, repetiu a dose pela terceira vez consecutiva no Nacional-08.

     Mas o feito histórico de Muricy, Rogério Ceni e Cia não foi o único protagonista nesta reta final do campeonato. Os Corleones voltaram.

     Tomo 1

     Não é novidade para ninguém o clima de extrema rivalidade que paira sobre a Federação Paulista de Futebol. Após o golpe dado por Del Nero em seu vice Reinaldo Carneiro Bastos, que segundo acordo prévio assumiria a presidência da entidade após a saída de Eduardo Farah, mesmo o cargo sendo por direito de Del Nero, a polarização se alojou nos bastidores do futebol paulista.

     Como diria o verdadeiro Dom Vito inspirado por Maquiavel, “o inimigo de meu inimigo é meu amigo”. O senhor Bastos levou ao pé da letra a máxima mafiosa e tratou de se aliar com o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, que por sua vez declara publicamente sua oposição à presidência da FPF.

     Tomo 2

     Após a confirmação do Brasil como sede da Copa do mundo de 2014, a euforia tomou conta mais das construtoras e cartolas do que da torcida que se perguntava como faria para adquirir um ingresso para assistir ao grande frenesi do esporte.

     Surge, portanto, São Paulo como a principal candidato para a realização da abertura do evento, tendo o Morumbi, estádio do São Paulo Futebol Clube, como candidato a sede.

     Neste meio tempo, fecha-se um acordo entre Traffic e Palmeiras, onde consta em contrato a construção de uma arena multiuso, que estaria pronta e acabada antes de 2014.

     Detalhe importante deste enredo é que Del Nero acumula o cargo de conselheiro do clube palestrino.

     Além desta natural concorrente do gigante de concreto, o Morumbi, Del Nero entra em cena fomentando dois “sonhos”. O primeiro é se utilizar da Copa para a construção de outro Estádio Municipal, e o segundo, utiliza como clara massa de manobra a nação corintiana prometendo se não um Estádio Municipal um Estádio para o Esporte Clube Corinthians Paulista, a ser entregue no ano de seu centenário.

     Tomo 3

     Após Del Nero ver suas forças esmorecerem no que diz respeito a concorrência dos estádios resolve agir.

     No dia 06/12, Del Nero entra em contato com a Comissão Brasileira de Arbitragem, e CBF, afirmando que Wagner Tardelli, juiz sorteado para apitar o ultimo jogo do São Paulo no Campeonato Brasileiro, estaria vendido.

     Segundo relato do presidente golpista, houve a interceptação de um envelope endereçado a Wagner Tardelli contendo o valor da compra do resultado do jogo.

     De imediato o arbitro envolvido foi convocado para um conversa com seu presidente, Sergio Correa, onde foi comunicado de sua “compra” e substituição do arbitro que apitaria a partida.

     Após conversa, Tardelli abriu mão do jogo e ouviu promessas de esclarecimentos públicos para segunda feira (08/12) por parte da CBF, que endossou a saída de Tardelli.

     Tomo 4

     Fim de jogo (07/12), São Paulo sagrasse tri brasileiro, com gol impedido, e Juvenal Juvêncio, pós alguns whiskys, dá a declaração que traz a luz todo esquema do senhor Del Nero.

     “O Del Nero queria atrapalhar. Ligou para a CBF no sábado, quando não podia fazer nada, para fala do árbitro. Nos bastidores, eles temiam que o São Paulo conquistasse o sexto título, achavam que isso traria prejuízo porque ficariam fora o time A, o B, e o C. Grande parte dos dirigentes brasileiros são uma piada. Aqui no São Paulo é diferente.”

     Constatou-se que Juvenal encaminhou a FPF, a pedido do senhor Bastos, ingressos de cortesia para o show da Madonna, a se realizar no Morumbi.

     Como as secretárias de Juvenal e Bastos são muito amigas e por meio delas são freqüentes as cortesias do São Paulo com Bastos, Del Nero ouviu em uma das conversas destas o nome de Tardelli e resolveu fazer a denuncia leviana.

     Ainda em campo, Juvenal garantiu que o clube não enviou ingressos do show da Madonna para o árbitro Wagner Tardelli. “Ficaria barato enviar dois ingressos. Daria uns R$ 600 para o árbitro. Eles precisam entender que aqui a coisa é diferente.”. Além de ressaltar que o cartola palmeirense da FPF tentou remediar a situação, “O Del Nero me enviou um e-mail para falar que não tinha a intenção de nos prejudicar, mas nem dei bola.”

     Final

     Mais uma vez vemos a briga de egos e interesses financeiros adentrarem as 4 linhas sagradas.

     Del Nero, com sua ganância ingênua arquiteta esquema para sujar a imagem de um clube opositor, almejando ganhar espaço na disputa pela sede da abertura da Copa de 2014.

     Como se não bastasse este absurdo, teve todo o respaldo dos senhores Sergio Correa e Ricardo Teixeira, que como se esperava não cumpriu a promessa de se declarar publicamente sobre o caso deixando com que o tempo apague este disparate bizarro.

     Edilson deve estar rindo em sua poltrona, “meninos bobos, estão perdendo o jeito”.

Corinthians democrático

abril 2, 2008

   

     Dia 24/03 foi noite de festa no Parque São Jorge, mas desta vez não foi um título para o Timão. Para alguns foi ainda melhor. Depois de décadas sofrendo com mandatos intermináveis de presidentes, o Sport Clube Corinthians Paulista agora entrou na era da democracia.

     Na reunião do Conselho Deliberativo do clube, a maioria aprovou a mudança no estatuto que prevê a implementação de eleições diretas. Ou seja, agora os 14 mil sócios do clube têm direito a voto na escolha do presidente do Corinthians. E as novidades não pararam por aí.

     Agora quem for o grande comandande do Alvinegro do Parque São Jorge terá mandato de três anos, sem direito à reeleição, o que impede longos mandatos como foi o de Alberto Dualib. O ex-presidente só poderá se candidatar novamente seis anos depois do término do último mandato.

     Outra novidade é a redução de número de conselheiros, de 400 para 300. Destes 300, 200 são eleitos com mandatos de três anos, não quatro como era até então. As outras 100 vagas são de conselheiros vitalícios. Como o clube tem hoje 200 vitalícios, com o passar dos anos o Corinthians pretende reduzir este número até atingir a quantidade registrada no novo estatuto.

Entevista com Paulinho do Blog do Paulinho

abril 1, 2008

    

     Hoje, no afamado dia da mentira, resolvemos fazer o contra peso e trouxemos o popular autor do Blog do Paulinho, o próprio Paulinho.

     Contra peso, pois o Paulinho foi, e continua sendo, responsável por inúmeras denuncias verdadeiras envolvendo grandes cartolas mafiosos que utilizam o futebol para encherem seus próprios bolsos brincando com nossa maior paixão.

     Casos emblemáticos como a parceria Corinthians/MSI e o mais novo escândalo envolvendo o Futebol do Interior, onde Paulinho desmascara um esquema de seguro típico dos filmes de Copolla, foram revelados no blog deste torcedor de coração alvi negro.

     Mesmo com discordâncias perceptíveis de métodos e ações, como torcidas organizadas e clubes empresas, nos unimos ao Paulinho no resgate do verdadeiro futebol.

     Vale a visita para conferir suas opiniões e as novas dos bastidores do mundo futebolistico em sua pagina.

     Agora fiquem com o bate-papo para melhor conhecer esta grande figura.

     Cartola na Bandeja: Então não posso começar de outra maneira se não a convencional. Como começou esta história do blog do Paulinho?

     Paulinho: Comecei a fazer o blog por hobbie, nunca imaginei que teria essa proporção.

     Cartola na Bandeja: Quando você se ligou que o blog passou a influenciar a política interna do 2° maior clube do país a partir de suas publicações?

     Paulinho: Alguns meses depois quando comecei a sofrer ameaças.

     Cartola na Bandeja: Estas partiam de onde e por quê?

     Paulinho: De diretores do clube, de torcedores organizados… porque ficavam incomodados com a verdade.

     Cartola na Bandeja: Você diz a verdade sobre a parceria do Timão com a Máfia Russa? 

     Paulinho: Eu sempre digo a verdade.

     Cartola na Bandeja: Já que tocou no assunto das organizadas, uma das maiores polemica em seu blog foi à declaração que nas organizadas são formadas por bandidos e seus simpatizantes. Qual é o real papel destas torcidas e seu envolvimento com a burocracia futebolística em seu ponto de vista?

     Paulinho: Elas não servem para nada, estragam com o esporte, levam os jovens para as drogas e a grande maioria comete delitos.

     Cartola na Bandeja: Você não vê um avanço em torcidas organizadas como o do Peñarol que se mobilizaram para construir um estádio para seu clube com o “peso a peso”, ou a do Racing da Argentina que saem as ruas para expulsar cartolas e “parceiros” que faliram o clube ou até mesmo as organizadas do Guarani de Campinas que buscam cadeiras na direção do clube para participar ativamente das deliberações referentes ao time que amam?

     Paulinho: Não. As organizadas são organizações falidas moralmente. Servem apenas de “pano” para organizações criminosas que delas se utilizam para praticar o ilicito. Todas devem ser fechadas e banidas do esporte.

     Cartola na Bandeja: Partindo do principio de “pano para organizações criminosas”, o mesmo deveria se aplicar aos clubes que servem para lavagem de dinheiro e demais crimes?

     Paulinho: Todos os clubes devem pagar por seus erros. Mas há uma diferença, você consegue enxergar gente de bem para gerir um clube, nas organizadas nem de lupa.

     Cartola na Bandeja: Mudando um pouco o foco, mas ainda dentro do mundo futebolístico, como você vê o fenômeno dos “clube empresa”, é a salvação ou a ruína do bom e velho futebol?

     Paulinho: Salvação, uma delas

     Cartola na Bandeja: Como você explica então a situação do Liverpool, do Palmeiras pós Parmalat e mesmo do Corinthians pós MSI, sendo que os casos tupiniquins foi uma busca de parceria para atingirem o patamar de clube empresa?

     Paulinho: Clube empresa nada tem a ver com parceria. Os dirigentes são ruins e se locupletam lesando as parceiras. No caso do Corinthians foi diferente. Como ficar em boa situação se juntando a mafiosos?

     Cartola na Bandeja: Quais são as outras salvações?

     Paulinho: Gerir o clube como se fosse empresa com executivos bem remunerados, ou se for para manter o padrão atual apostar em dirigentes honestos como Bebeto de Freitas, Beluzzo, Roque Citadini…

     Cartola na Bandeja: Então a salvação de nossa paixão permanece nas mãos de cartolas, mas desta vez dos mocinhos? Mas como diferi-los?

     Paulinho: Pelas atitudes….pela biografia…

     Cartola na Bandeja: O que dizer de Del Nero (golpista Presidente da FPF)?

     Paulinho: Político, não confiável, da mesma estirpe de Ricardo Teixeira e do que existe de pior no esporte.

     Cartola na Bandeja: E como devemos limpar o futebol destes elementos?

     Paulinho: As leis têm que ser cumpridas, os próprios dirigentes pararem de ser covardes e beijar a mão de gente assim…

     Cartola na Bandeja: Seria eficiente uma fiscalização da torcida através da participação efetiva e proporcional em conselhos no interior dos clubes?

     Paulinho: Torcedor apaixonado pelo clube sim, organizado nunca.

     Cartola na Bandeja: Para concluir, do que, ou de quem, devemos salvar o futebol? 

     Paulinho: Dos corruptos que vivem dele.

     Cartola na Bandeja: Devemos pedir a cabeça destes cartolas na bandeja?

     Paulinho: Sem duvida!

     Cartola na Bandeja: Cara, nossos agradecimentos.

     Paulinho: Imagina, foi um prazer… fico muito grato.

Presidente da Conmebol e demais “Corleones” negam envolvimento em caso de suborno

março 14, 2008

     O futebol sul-americano escolheu o silêncio como resposta à aparição já oficial do paraguaio Nicolas Leoz, presidente da Conmebol, como membro da Fifa acusado de receber pagamentos secretos da ISL (International Sport Leisure), empresa de marketing fundada por Horst Dassler, o filho de Adi Dassler, famoso fundador da Adidas. A escandalosa quebra da ISL começou a ser julgada nesta terça-feira, na cidade suíça de Zug. O juiz Thomas Hildbrand apresentou as evidências na audiência de terça-feira, na qual aparece, de forma irrefutável, o nome de “Nicolás Leoz”, primeiro com a data de 20 de janeiro de 2000 e um envio de US$ 100 mil e logo depois um documento de 4 de maio de 2000, atestando o envio de US$ 30 mil ao dirigente paraguaio.

     A aparição do nome de Leoz, esclareceram fontes judiciais, não implica por si só em delito algum. Porém, Hildbrand apresentou essas evidências na audiência de abertura de terça-feira pois suspeita que as movimentações financeiras têm a ver com casos de subornos, pagos pela ISL para garantir favores, um esquema corrupto cuja prática foi detectada pelo ex-diretor da empresa, Thomas Bauer.

     “Este é um caso encerrado para a Confederação Sul-americana de Futebol (Conmebol), completamente encerrado“, respondeu, cortante, o porta-voz da Conmebol, Nestor Benítez, em Assunção comunicando ter em seu poder as evidências apresentadas por Hildbrand sobre Leoz, de 79 anos, presidente da Conmebol desde 1986 e membro do Comitê Executivo da Fifa desde 1998.

     Essa mesma versão, de “caso encerrado”, utilizou em sua resposta o secretário geral da Federação do Equador, Francisco Acosta Espinoza: “soubemos algo disso faz alguns anos, mas é um caso encerrado. Não estamos a par de nada agora. A Federação equatoriana sempre apóia incondicionalmente ao Dr. Leoz. É um ícone da unidade“, respondeu Acosta Espinoza.

     “Nós falamos apenas dos casos internos da nossa Federação e não daqueles que não dizem respeito a nós. Por isso, preferimos não fazer declarações sobre esse assunto“, alegou, por sua vez, Harold Mayne-Nicholls, presidente da Associação Nacional de Futebol Profissional (ANFP) do Chile.

     “Graças a Deus, desconheço o tema“, declarou José Maria Aguilar, vice-presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA) e presidente do River Plate, um dos maiores clubes de futebol do país.

     Foram, pelo menos, os únicos que responderam àimprensa, pois as tentativas de contato com as Federações do Brasil, Bolívia, Venezuela, Paraguai, Peru, Bolívia e Colômbia foram infrutíferas, ao passo que no Uruguai a secretária pessoal do presidente José Luis Corbo atendeu às ligações e escutou as perguntas, ainda que nunca tenha enviado qualquer resposta.

     O porta-voz Benítez, consultado pela agência italiana ANSA, acrescentou que Leoz não falaria sobre o assunto por enquanto e que remetia a um comunicado de 26 de setembro de 2006, no qual a Conmebol assegurava que “jamais algum membro da instituição recebeu dinheiro algum” da ISL, “não foi mantida, portanto, nenhum vínculo comercial com ela“.

     Leoz havia sim afirmado em setembro, quando o jornal inglês The Guardian antecipou as evidências de Hildbrand, que ele nunca integrou a Comissão de Finanças nem de assuntos econômicos da Fifa “e que mal poderia ter entrado em negociação” com a ISL, empresa que foi parceira comercial da Fifa durante 20 anos e sofreu uma quebra escandalosa em 2001, somando dívidas de US$ 300 milhões. Na mesma entrevista, concedida ao jornal paraguaio ABC Color, Leoz advertiu ainda que “a Conmebol não intervém na venda dos direitos televisivos das seleções sul-amercianas em suas partidas pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Cada país negocia livremente e a Confederação não recebe qualquer porcentagem“.

     Quando consultado, há dez dias, o porta-voz Benítez sobre os aspectos econômicos da Conmebol, este se limitou a dizer que o contrato com a Fox Sports pelos direitos da Copa Libertadores vence em 2011 e foi aprovado pelos dez países membros da entidade. Ao ser questionado se a Conmebol havia recebido ofertas de outras redes, Benítez disse: “olha, te agradeço muito, irmão, te agradeço muito” e desligou o telefone.

     Blatter, cujo adrogado Meter Nobel devolveu ao diretor Bauer dinheiro dos subornos pagos pela ISL, num fato mais do que chamativo, destacou sábado passado na Escócia que a Fifa não podia ter medo do julgamento, pois foi ela mesmo quem deu início ao processo judicial. O que Blatter não contou foi que a Fifa retirou sua demanda em 2004, uma vez que Nobel devolveu o dinheiro desses subornos e pediu o encerramento da causa. HIldbrand dobrou a aposta e invadiu os escritórios de Blatter em novembro de 2005. Quando surgiram os primeiros rumores de que Leoz estava metido no escândalo da falência da ISL, Blatter respondeu que a Fifa pediria à Justiça “esses documentos, se é que eles existem, para saber quais são“. Parte desses documentos é o que segue aqui.

     Diferente do que a União Européia (UEFA), onde Michel Platini derrtou em pleito apertado o sueco Lennart Johansson, a Conmebol nem sequer possui eleições para manter Leoz como seu presidente, quem comando “respeitando” poder do Brasil e da Argentina a nível de seleções nacionais e clubes. E também a nível de redes de TV.

     Leoz, um advogado de nove irmãos, nascido em 10 de setembro de 1928 em Pirizal (Chaco paraguaio), que foi jornalista esportivo e professor de História, já tem 22 anos de carreira na Conmebol. Já superou os 20 de seu antecessor, o peruano Teófilo Salinas. Mas seus defensores elogiam Leoz porque durante sua gestão ele deu voz não apenas aos membros do Comitê Executivo da Conmebol, como também aos presidentes de cada federação nacional.

     A construção da sede da Conmebol em Luque, a poucos quilômetros de Assunção e o relançamento da Copa América, cuja sede retornou aos dez países afiliados, são alguns dos trunfos dos quais Leoz mais se gaba. Sua gestão sem inimigos, contudo, passou por um duro teste quando o senador paraguaio Juan Carlos Galaverna o pôs em apuros durante uma visita a Assunção do presidente da Fifa, em 2006.

     Galaverna, um polêmico legislador do Partido Colorado, qualificou Leoz de “capo mafioso” e Blatter de “hiper capo mafioso do futebol internacional”. O senador denunciou um sistema de subornos nos processos que elegem sedes de torneios e contou, sem apresentar provas, que “o último suborno” teria sido recebido por Leoz para escolher a bola oficial do torneio Sul-americano Sub-20, que devia ser jogado este ano no Paraguai.

     Leoz, que coleciona cerca de meio millar de condecorações recebidas em suas viagens pelo mundo, perdeu aí a compostura e apelou à conhecida política de extorsão que muitos atribuem à Fifa. Afirmou que o Paraguai não oferecia “a segurança necessária aos dirigentes esportivos” e que a Conmebol analisaria transferir a sede do Sul-americano para outro país. Foram ameaças similares as que, no mês passado, formulou o próprio Blatter ao governo espanhol, que exige eleições na federação de futebol do país. Blatter advertiu que se o governo concretizar sua exigência, a Espanha estará fora da Eurocopa de 2008. Foi um “tom de ameaça com ar calabrês”, como definiu o jornalista espanhol Santiago Segurola. E então, muitos se lembraram de “O Poderoso Chefão”, famoso filme de Francis Ford Coppola.

Um pouco mais do mesmo

março 13, 2008

     Nesta quarta-feira, a Polícia Federal de Alagoas revelou que o prêmio de mais de R$ 100 mil pago aos jogadores de Coruripe pela conquista do Campeonato Alagoano do ano passado foi feito com dinheiro da Assembléia Legislativa de Alagoas 

     A conclusão do órgão se deu a partir de um depoimento do diretor de futebol do clube, Rosiwelington da Silva Tavares, conhecido como Pato, ouvido na última terça. 

     De acordo com o delegado Sandro Augusto, Pato disse que forneceu o número da conta para uma pessoa, mas não lembrava quem.  

     “O diretor de futebol revelou que os dois repasses, no valor de R$ 49,8 mil e R$ 60 mil, teriam como objetivo o pagamento dos jogadores do clube campeão, mas não sabia de quem teria partido a iniciativa de efetuar o pagamento com o dinheiro da Assembléia”, afirmou Augusto 

     Responsável pelo inquérito que apura o desvio de mais de R$ 280 milhões da folha de pagamento do legislativo alagoano, o delegado Janderlyer Gomes, desconfia que a ordem para pagar o prêmio dos jogadores do Coruripe tenha partido do deputado estadual João Beltrão (PMN), que é o presidente de honra do clube.  

     Beltrão rechaça a possibilidade de ter realizado a operação, mas confirmou ter recebido um empréstimo de R$ 150 mil usando como avalista a Assembléia Legislativa. 

     Pelo menos doze dos 27 deputados estaduais alagoanos já foram indiciados pela PF acusados de participação no golpe. Entre eles, o presidente afastado Antônio Albuquerque (DEM) e mais cinco integrantes da Mesa Diretora. 

     No total, o delegado já indiciou mais de 80 pessoas envolvidas na “Operação Taturana”, deflagrada em dezembro de 2007. Alguns deputados e ex-deputados foram indiciados por terem contraído empréstimos de maneira irregular.

Torcedores reivindicam voz ativa na diretoria bugrina

março 12, 2008

     No Campeonato Paulista o Guarani é o último colocado com 11 pontos em 13 jogos disputados. A situação complicada na tabela de classificação “acendeu a luz amarela” no Brinco de Ouro da Princesa. E uma das últimas medidas para tentar sanar essa crise foi tomada por um grupo de representantes das torcidas organizadas do clube, que montou um movimento com a intenção de auxiliar os trabalhos da diretoria.

     Os torcedores, representantes das organizadas Fúria Independente, Guerreiros da Tribo e Torcida Jovem, estiveram reunidos com o presidente do conselho deliberativo da equipe, José Carlos Sicoli, e outros conselheiros, na tentativa de encontrar soluções conjuntas para tirar o Guarani da crise e evitar um novo rebaixamento.

     Segundo os representantes desse movimento, a intenção não é criar um novo grupo político, e sim, instituir uma comissão de torcedores que passará a participar ativamente das decisões da diretoria.

     A primeira ação do movimento de torcedores do Guarani foi a criação de um manifesto, que já foi entregue à diretoria bugrina. Entre as “exigências” dos torcedores estão: uma reunião com a comissão técnica e jogadores, efetivação da comissão de torcedores, redução dos valores dos ingressos, participação na escolha do novo diretor de futebol e alteração do atual modelo administrativo (redução do número de jogadores de empresários, segundo o manifesto).

     O manifesto foi entregue ao vice-presidente comercial do Guarani, Álvaro Negrão, que prometeu levar as reivindicações dos torcedores ao conselho e aos demais diretores.

Fifa recusa tecnologia e sugere mais dois auxiliares em campo

março 10, 2008

     Chegaram ao obvio, definitivamente manter o futebol como um jogo humano. É com esse argumento que a International Board, órgão responsável por controlar as regras do esporte coletivo mais popular do mundo, definiu a extinção dos experimentos tecnológicos em competições oficiais. 

     “É um jogo feito por seres humanos, com um jeito humano. Achamos que o uso de tecnologia iria alterar a dinâmica do jogo“, justificou o secretário-geral da Federação galesa, David Collins, que contou com a corroboração do presidente da Fifa, Joseph Blatter. 

     A utilização de dois árbitros-assistentes adicionais, que vão ficar atrás dos dois gols, deverá ser feita em um torneio organizado pela Fifa ou pela Uefa até a reunião da International Board de 2009. 

     “Nós decidimos congelar a tecnologia da linha de gol (que permite identificar se uma bola entrou ou não) e todos os outros testes. Nós vamos analisar o uso de mais dois árbitros em campo e proibir qualquer tipo de outra inovação neste período“, disse o secretário geral da entidade Jerome Vackle, anunciando que haverá maior partilha do bolo quanto à compra de resultados. 

     A Associação Inglesa de Futebol, entretanto, demonstrou descontentamento em relação às medidas anti-tecnologia definidas no encontro realizado no último sábado, no condado escocês de Gleneagles, entre os membros da IB. 

     “É frustrante. A FA sempre esteve na vanguarda para ajudar os árbitros a tomarem decisões corretas“, lamentou o presidente da entidade, Brian Barwick. 

     A frustração se deu por conta de que a Liga Inglesa pretendia utilizar a tecnologia na linha do gol a partir da próxima temporada, no campeonato nacional daquele país.  

     “Com alguns testes em partidas menores, achávamos que era uma possibilidade bem real“, afirmou o secretário-geral da Premier League, Mike Foster, que certamente, assim como os demais representantes de entidades futebolísticas simpáticos à inovação, deixaram de lucrar indiretamente com a novidade.

     Continuemos com o que resta de nosso bom e velho futebol.